Hunter Biden, filho de Joe Biden, em 3 de junho de 2024 Kevin Lamarque/Reuters Dois ex-funcionários do FBI foram acusados de mentir ao Congresso sobre seu envolvimento nas investigações relacionadas ao laptop de Hunter Biden, filho do ex-presidente americano Joe Biden, antes das eleições presidenciais de 2020. O caso é o mais recente de uma série de medidas de grande repercussão e forte teor político adotadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos antes das eleições de meio

Hunter Biden, filho de Joe Biden, em 3 de junho de 2024 Kevin Lamarque/Reuters Dois ex-funcionários do FBI foram acusados de mentir ao Congresso sobre seu envolvimento nas investigações relacionadas ao laptop de Hunter Biden, filho do ex-presidente americano Joe Biden, antes das eleições presidenciais de 2020. O caso é o mais recente de uma série de medidas de grande repercussão e forte teor político adotadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato de novembro. Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Nikki Floris e Bradley Benavides foram dirigentes de uma força-tarefa do FBI criada para combater a interferência estrangeira nas eleições e posteriormente extinta. Na sexta-feira, os dois compareceram a um tribunal federal em Washington, onde seus advogados pediram uma audiência rápida para contestar as acusações de que eles mentiram a parlamentares sobre seu envolvimento nas investigações do FBI sobre Hunter Biden. Agora no g1 O processo, um raro caso criminal do Departamento de Justiça contra ex-funcionários da pasta, retoma uma controvérsia que agitou as últimas semanas da campanha eleitoral de 2020. O caso também ocorre em meio a uma iniciativa mais ampla do diretor do FBI, Kash Patel, para reexaminar episódios de grande repercussão do passado recente da agência que, por anos, mobilizaram a base conservadora do presidente Donald Trump. Antes de assumir o comando do FBI, Patel era um crítico ferrenho da instituição. Os advogados de Floris a chamaram de patriota e afirmaram que ela serviu nossa nação como uma dedicada agente de inteligência do FBI por quase 20 anos. Hoje, no entanto, o Departamento de Justiça a acusou falsamente de um crime com base na palavra de políticos, não nos fatos, disseram seus advogados em comunicado. Não é coincidência que o governo esteja apresentando essas acusações absurdas agora, anos depois, às vésperas de uma eleição. Os advogados de Benavides acusaram o governo de apresentar acusações criminais infundadas contra ele em um processo claramente político. Este é mais um dia triste para o Departamento de Justiça, disseram seus advogados em comunicado enviado por e-mail. Mas agora estamos no tribunal, e a verdade virá à tona: Brad Benavides é um verdadeiro patriota que dedicou sua carreira a proteger este país e seu povo. Essas acusações são uma vergonha. Acusação ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato O processo foi aberto dez dias antes das eleições de 3 de novembro, por meio de um "criminal complaint", instrumento que permite apresentar formalmente acusações antes de o caso ser submetido a um grande júri, responsável por decidir se há base suficiente para um indiciamento. O Departamento de Justiça tem enfrentado dificuldades em casos de grande repercussão para obter acusações formais de grandes júris em Washington. Durante a audiência, tanto os advogados de defesa quanto o juiz chamaram atenção para a forma incomum como a acusação foi apresentada. Esse tipo de procedimento costuma ser utilizado pelos promotores quando há necessidade urgente de deter um investigado, por exemplo, por risco de fuga ou por representar perigo à comunidade. O juiz federal Zia Faruqui afirmou ser incomum que acusações relacionadas a fatos ocorridos anos atrás sejam apresentadas dessa maneira. Apesar do pedido dos promotores por mais tempo, ele marcou uma audiência preliminar para terça-feira (27) e afirmou que o processo representava uma espada de Dâmocles sobre os réus. Laptop de Hunter Biden virou tema da eleição de 2020 A revelação da existência do laptop, em outubro de 2020, adicionou um novo elemento à disputa entre Donald Trump, então presidente e candidato republicano à reeleição, e Joe Biden, pai de Hunter e candidato democrata que acabou vencendo a eleição. O caso ganhou repercussão após o New York Post publicar informações extraídas do laptop. O jornal afirmou ter recebido de Rudy Giuliani, aliado de Trump, o disco rígido de um computador que Hunter Biden teria deixado em uma assistência técnica em Wilmington, no estado de Delaware, cerca de um ano antes. O caso retoma antigas críticas de republicanos no Congresso à forma como o FBI lidou com o laptop. Entre elas está a alegação de que a agência não deixou claro ao público que o material contido no computador, incluindo e-mails sobre negócios de Hunter Biden no exterior, era autêntico e não resultado de desinformação russa. As circunstâncias da descoberta do laptop levantaram suspeitas entre democratas e ex-integrantes dos serviços de inteligência sobre um possível envolvimento russo. Na época, a comunidade de inteligência do governo Trump havia avaliado que Moscou tentava interferir nas eleições em favor do republicano, enquanto Giuliani buscava no exterior informações que pudessem comprometer a família Biden. Dezenas de ex-funcionários da inteligência americana assinaram uma carta afirmando que o caso apresentava as características clássicas de uma operação de informação russa. Mas o então diretor de Inteligência Nacional, John Ratcliffe, afirmou em carta ao Congresso que não havia provas de envolvimento de agentes estrangeiros com o laptop. Posteriormente, o FBI, então comandado por Christopher Wray, corroborou essa avaliação. Hunter Biden foi condenado em processos relacionados à posse ilegal de arma e a crimes fiscais durante o governo de seu pai. Joe Biden concedeu perdão presidencial ao filho nas últimas semanas de seu mandato. Caso envolve força-tarefa criada para combater influência estrangeira Segundo a acusação, Floris e Benavides, que ocupavam cargos de liderança na Força-Tarefa de Influência Estrangeira (FITF, na sigla em inglês), estavam diretamente envolvidos nas investigações sobre Hunter Biden, que era tema recorrente nas reuniões do grupo. Segundo a acusação, porém, os dois minimizaram o que sabiam diretamente sobre o laptop e o grau de envolvimento nas investigações durante depoimentos prestados em 2023 a parlamentares que também investigavam Hunter Biden. A acusação sustenta que Benavides mentiu ao dizer que soube pela Wikipédia que o FBI estava de posse do laptop. Segundo o documento, Floris também teria mentido ao afirmar que não sabia que Hunter Biden havia sido tema de discussões na FITF. Quando altos funcionários do FBI mentem ao Congresso, isso atinge o cerne do nosso sistema. Ninguém está acima da lei, afirmou Patel. O caso volta a colocar em evidência o trabalho da força-tarefa, criada durante o primeiro mandato de Trump para combater campanhas de influência da Rússia e de outros países destinadas a semear discórdia, enfraquecer a democracia e disseminar desinformação. O grupo tornou-se alvo de críticas de republicanos no Congresso, em parte por sua atuação em questões relacionadas a Hunter Biden, e foi dissolvido em fevereiro de 2025 pela então procuradora-geral Pam Bondi. Governo Trump ampliou ações envolvendo adversários políticos Como diretor do FBI, Patel supervisionou demissões em massa de agentes envolvidos em investigações sobre Trump ou vistos como contrários à agenda do governo republicano. Ele também voltou sua atenção para investigações anteriores à sua gestão, como as relacionadas a Hunter Biden, que foram alvo de críticas de aliados de Trump. Historicamente, o Departamento de Justiça procura evitar, no período próximo às eleições, medidas públicas em investigações envolvendo candidatos ou que possam influenciar o resultado político. Nas últimas duas semanas, porém, autoridades adotaram uma série de ações de forte repercussão política. Entre elas estão uma busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, no âmbito de uma investigação sobre fraude imigratória, e uma acusação de corrupção anunciada na quinta-feira (22) contra L. Louise Lucas, influente senadora estadual democrata da Virgínia. Omar e Lucas são críticas de Trump. Omar, deputada por Minnesota, classificou a busca em sua casa em Washington como uma tentativa de atingir inimigos políticos e usar as forças de segurança federais como arma. Lucas afirmou que não se deixará intimidar ou pressionar pelo governo federal e que não recuará.
Fonte: g1.globo.com